Ex-deputado deixou o Brasil em março de 2025; após perder o mandato e permanecer afastado das funções, vínculo com a PF foi encerrado por abandono de cargo
Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro da Polícia Federal por abandono de cargo. Ex-deputado deixou o Brasil em março de 2025 e morava nos EUA.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou nesta segunda-feira (21) a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal. A medida foi tomada após processo administrativo disciplinar concluir que o ex-deputado faltou ao serviço, sem justificativa, por mais de 30 dias consecutivos, caracterizando abandono de cargo.
A decisão foi assinada pelo ministro Wellington Lima e Silva na sexta-feira (18) e publicada nesta segunda no Diário Oficial da União.
Uma saída do Brasil que durou cerca de um ano e meio
A demissão encerra um vínculo funcional que permaneceu aberto durante meses depois de Eduardo deixar o país.
O ex-deputado saiu do Brasil em março de 2025 e passou a morar nos Estados Unidos com a família. Na época, afirmou que a mudança tinha relação com o que considerava perseguição política e jurídica no Brasil.
Naquele período, Eduardo ainda exercia o mandato de deputado federal e estava afastado das funções na Polícia Federal justamente para exercer o cargo eletivo.
A situação mudou em dezembro de 2025, quando seu mandato foi cassado pela Câmara dos Deputados por excesso de faltas nas sessões deliberativas.
Com o fim do mandato, a Polícia Federal declarou encerrado o afastamento que permitia a Eduardo permanecer distante de suas funções como escrivão e determinou seu retorno às atividades, com efeitos retroativos a 19 de dezembro de 2025.
Mesmo assim, o retorno não ocorreu. O processo administrativo que analisou as faltas terminou com a aplicação da pena de demissão, oficializada nesta segunda-feira.
Demissão ocorre dias após manutenção da condenação pelo STF
A medida também ocorre poucos dias depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal manter, por unanimidade, a condenação de Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto.
O julgamento do recurso terminou na sexta-feira (18), com quatro votos pela manutenção da condenação. Segundo o entendimento apresentado no processo, Eduardo articulou medidas junto ao governo dos Estados Unidos com o objetivo de pressionar instituições brasileiras e interferir no processo que envolvia seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A atuação de Eduardo no exterior já havia sido alvo de investigação e denúncia. Em setembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o então deputado permanecia nos Estados Unidos para evitar a responsabilização no Brasil. Eduardo, por sua vez, sustentava que havia deixado o país por motivos relacionados à perseguição política que alegava sofrer.
Com a portaria publicada nesta segunda, o vínculo de Eduardo Bolsonaro com a Polícia Federal é oficialmente encerrado, cerca de 18 meses depois de sua mudança para os Estados Unidos.
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