sexta-feira, 24 de julho de 2026
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Política

Em Carta, Marco Rubio Agradece Flávio Bolsonaro por Oferecer ‘Equipe de Transição’ aos EUA Caso Seja Eleito

Em Carta, Marco Rubio Agradece Flávio Bolsonaro por Oferecer ‘Equipe de Transição’ aos EUA Caso Seja Eleito
Imagem: Instagram/@flaviobolsonaro

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, agradeceu ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela oferta de colocar uma “equipe de transição” à disposição do governo americano caso seja eleito nas eleições de outubro. A carta de Rubio, datada de 23 de junho de 2026, foi enviada em resposta a uma correspondência anterior do parlamentar e à sua recente visita a Washington.

“Registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em prol de uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica de comércio e investimentos”, escreveu Rubio.

O movimento chama atenção porque a legislação brasileira prevê que a formação de uma equipe de transição deve ocorrer entre o governo que está no poder e o que acabou de ganhar as eleições não entre um pré-candidato e um governo estrangeiro.


O Que Flávio Propôs aos EUA

Em ofício enviado a Rubio no dia 2 de junho, Flávio Bolsonaro afirmou estar “confiante” de que será eleito presidente em outubro e propôs disponibilizar sua equipe de transição imediatamente após a vitória para avançar em um acordo comercial bilateral.

“Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéficos para ambas as nossas nações construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem”, disse o senador no documento.


O Que Diz a Lei Brasileira

A proposta de Flávio, no entanto, contraria o que estabelece a legislação nacional sobre transição governamental. Segundo a lei, a equipe de transição tem uma função específica e restrita: inteirar o presidente eleito sobre o funcionamento dos órgãos e entidades da administração pública federal e preparar os primeiros atos do novo governo.

“Transição governamental é o processo que objetiva propiciar condições para que o candidato eleito para o cargo de Presidente da República possa receber de seu antecessor todos os dados e informações necessários à implementação do programa do novo governo, desde a data de sua posse”, define a lei.

A norma também prevê que poderão ser criados até 50 cargos em comissão chamados de Cargos Especiais de Transição Governamental (CETG) para compor a equipe, escolhida pelo presidente eleito. Em nenhum momento a legislação prevê que essa estrutura seja colocada à disposição de um governo estrangeiro.


Tarifas, Pix e as “Diferenças Substanciais”

A carta de Rubio vai além dos agradecimentos. O secretário aproveitou o contato para reafirmar a postura dos Estados Unidos em dois temas sensíveis na relação bilateral: as tarifas comerciais e a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Sobre o comércio, Rubio foi direto ao afirmar que o representante comercial americano, embaixador Jamieson Greer, “deixou claro” que os dois países ainda têm “diferenças substanciais” a resolver. Ele listou os pontos de atrito:

  • Tarifas preferenciais consideradas injustas pelos EUA
  • Barreiras ao acesso ao mercado de etanol
  • Desmatamento ilegal
  • Proteção insuficiente de propriedade intelectual

Entre os pontos de tensão comercial, o Pix aparece como um dos alvos de maior atenção americana. O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil se tornou um dos casos de sucesso financeiro mais comentados do mundo e um incômodo para empresas americanas do setor financeiro. O Brasil realizou 36,3 bilhões de transações via Pix apenas nos cinco primeiros meses de 2026, segundo dados do Banco Central, movimentando cerca de R$ 16 trilhões alta de 26,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para os EUA, o modelo público e gratuito do Pix representaria uma barreira ao avanço de plataformas privadas americanas no mercado financeiro brasileiro.

A investigação comercial a que Rubio se refere foi aberta em julho de 2025, a pedido do presidente Donald Trump, pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A proposta do governo Trump é impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Uma audiência pública sobre o tema está agendada para o dia 6 de julho de 2026, quando empresas, associações e governos poderão apresentar argumentos antes da decisão final da administração americana.


PCC e Comando Vermelho como “Terroristas”

Rubio também abordou na carta a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras” medida anunciada pelo governo Trump e que gerou reações no Brasil.

O secretário agradeceu o apoio de Flávio Bolsonaro à decisão e justificou a iniciativa: “Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em nosso hemisfério compartilhado. Ao visar suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger os povos brasileiro e americano do crime organizado transnacional.”


O Contexto: Flávio Bolsonaro e a Corrida Presidencial

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro de 2026. Sua aproximação com o governo Trump e agora diretamente com o secretário de Estado Rubio faz parte de uma estratégia clara de posicionamento internacional, alinhando sua candidatura ao campo conservador que governa os Estados Unidos.

A troca de cartas e a visita a Washington reforçam esse alinhamento, mas também acendem um debate jurídico e político no Brasil: até que ponto um pré-candidato pode negociar com governos estrangeiros em nome de um futuro mandato que ainda não existe?

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