Distrito Industrial registrou 587,9 µg/m³ de partículas no ar; episódio reforça sequência de períodos de fumaça que vêm afetando Manaus nos últimos anos
Manaus voltou a amanhecer encoberta por fumaça nesta quarta-feira (23), em mais um episódio de poluição intensa que atinge a capital amazonense. Segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a concentração de partículas no ar chegou a 587,9 µg/m³, por volta das 5h15, no Distrito Industrial I, na Zona Sul.
O índice é mais de três vezes superior aos 160 µg/m³, referência máxima da escala utilizada pelo Selva para classificar a qualidade do ar.
Este é o sexto episódio de fumaça e altos níveis de poluição registrado em Manaus em apenas 15 dias. O cenário também reforça um problema que vem se repetindo na capital nos últimos anos durante os períodos de estiagem e aumento das queimadas na Amazônia.
Em setembro de 2025, por exemplo, o Selva chegou a registrar 159 µg/m³ em Manaus. Já neste ano, os episódios começaram a se intensificar a partir do início de setembro. Entre 1º de janeiro e 16 de setembro de 2026, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia registrado 4.496 focos de queimadas no Amazonas, 54% acima dos 2.922 registrados no mesmo período de 2025.
Situação também atinge a Região Metropolitana
A fumaça não ficou restrita à capital. Na manhã desta quarta, sete dos 13 municípios monitorados na Região Metropolitana de Manaus apresentavam índices acima de 125 µg/m³, faixa classificada como péssima pelo Selva.
Em Autazes, a concentração chegou a 576,6 µg/m³. Manacapuru, Manaquiri, Careiro, Rio Preto da Eva, Iranduba e Itacoatiara também apresentaram índices acima de 125 µg/m³.
Dentro de Manaus, além do Distrito Industrial, o Parque Dez registrou 267,5 µg/m³, enquanto a Compensa chegou a 219 µg/m³ no mesmo horário. Uma hora depois, às 6h, o Distrito Industrial ainda apresentava 382,8 µg/m³.
Fumaça é associada às queimadas
Segundo a Prefeitura de Manaus, a fumaça é proveniente de áreas de queimadas em diferentes regiões da Amazônia, principalmente em municípios da Região Metropolitana e no leste do Amazonas.
A pesquisadora Karla Longo, do Inpe, explicou em reportagem da Amazônia Real que, durante a estação seca, os ventos predominantes favorecem o transporte da fumaça de áreas do Amazonas e do Pará para Manaus. A especialista também ressalta que uma massa de fumaça pode permanecer suspensa por vários dias e ser transportada por longas distâncias.
Orientação à população
Diante da piora na qualidade do ar, a Secretaria Municipal de Saúde orienta a população a reduzir a exposição à fumaça, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Também é recomendado evitar exercícios ao ar livre nos períodos de maior concentração de poluentes, manter-se hidratado e proteger olhos e vias respiratórias. Em situações de exposição inevitável, máscaras como N95 ou PFF2 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) também informou a adoção de atividades remotas nesta quarta-feira em unidades localizadas em Manaus, diante das condições de qualidade do ar.
Deixe um comentário