Presidente argentino criticou atuação da organização, cobrou o Reino Unido e afirmou que Argentina não ficará esperando uma solução internacional
O presidente da Argentina, Javier Milei, fez duras críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (23), durante seu discurso na Assembleia Geral, em Nova York. O chefe do governo argentino classificou a organização como “inútil” e questionou sua capacidade de fazer cumprir as próprias resoluções.
Um dos principais pontos do discurso foi a disputa entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas, arquipélago cuja soberania é reivindicada por Buenos Aires e administrado pelo Reino Unido. Milei afirmou que a questão é uma “causa nacional” para os argentinos e acusou a ONU de não agir de maneira suficiente diante do conflito.
Argentina diz que vai tomar providências
Milei afirmou que seu governo não pretende permanecer esperando uma ação da comunidade internacional e declarou que a Argentina “vai tomar providências” sobre a questão.
A fala ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo a exploração de petróleo nas proximidades das ilhas. Neste mês, o governo argentino iniciou procedimentos de sanção contra empresas e pessoas ligadas a um projeto de exploração offshore na região. O Reino Unido rejeita as medidas argentinas e afirma que as Malvinas têm direito de desenvolver seus próprios recursos naturais.
Na Assembleia Geral, Milei também pediu que o Reino Unido retome as negociações para buscar uma solução pacífica para a disputa de soberania.
Críticas à ONU e à OMS
Além das Malvinas, o presidente argentino criticou a atuação da ONU em outras áreas. Ele acusou a organização de ter permitido conflitos e de não cumprir adequadamente seu papel na defesa da segurança coletiva e dos direitos humanos.
Milei também voltou a criticar a atuação da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a pandemia de Covid-19. Segundo ele, as medidas adotadas durante aquele período representaram um “experimento global de controle social disfarçado de ciência”.
O presidente argentino também afirmou que seu país fez uma escolha geopolítica de alinhamento “sem ambiguidades” com o Ocidente, citando especificamente Estados Unidos e Israel.
O discurso ocorreu no segundo dia dos debates da 81ª Assembleia Geral da ONU, que reúne chefes de Estado e de governo em Nova York. A disputa pelas Malvinas ganhou espaço adicional no debate internacional nas últimas semanas em razão das atividades de exploração de petróleo na região.
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