sexta-feira, 25 de setembro de 2026
⚠ Últimas Milei chama ONU de “inútil” e promete agir sobre disputa pelas Malvinas
Política

STF em Guerra: Gilmar e Zanin Exigem Cópia do Celular de Vorcaro às Vésperas de Julgamento Histórico

STF em Guerra: Gilmar e Zanin Exigem Cópia do Celular de Vorcaro às Vésperas de Julgamento Histórico
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal viveu neste domingo (13) mais um capítulo da crise institucional que se instalou na corte após a revelação das mensagens do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes exigiram da Polícia Federal uma cópia integral do iPhone 17 Pro apreendido de Vorcaro quando ele foi preso pela primeira vez, em 18 de novembro de 2025, contrariando o ministro André Mendonça, relator do caso, que resistia ao compartilhamento do material alegando risco às investigações.

A disputa acontece a apenas dois dias do julgamento histórico marcado para a próxima terça-feira (15), quando o plenário do STF deverá analisar o relatório da Polícia Federal que aponta uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso.


A Ordem de Zanin e o Prazo até as 23h

O ministro Cristiano Zanin foi o primeiro a agir, determinando que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregue até as 23h deste domingo uma cópia integral do conteúdo extraído do celular de Vorcaro. Em seu despacho, Zanin foi direto ao rebater a resistência de Mendonça: não existe “hierarquia entre os ministros do STF”, disse ele.

Zanin também argumentou que as provas pertencem ao plenário da corte e a todos os seus integrantes não a um ministro especificamente. E lembrou um detalhe relevante: o material já havia sido disponibilizado aos advogados de defesa de Daniel Vorcaro. Negar o acesso aos próprios ministros julgadores, portanto, seria uma contradição difícil de sustentar.

“Não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência”, afirmou Zanin na decisão.

A PF informou que tem plenas condições de fornecer a cópia a todos os gabinetes da corte sem prejudicar a cadeia de armazenamento das provas.


Gilmar Mendes Entra na Disputa

Pouco depois da determinação de Zanin, o ministro Gilmar Mendes também pediu acesso à cópia integral do celular. Mendes foi cuidadoso ao afirmar que “não se cogita de qualquer levantamento de sigilo” o material, segundo ele, permaneceria sob regime rigoroso de restrição, com acesso limitado ao gabinete.

O argumento de Gilmar é técnico e cirúrgico: sem acesso ao conteúdo completo do celular, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório elaborado por Mendonça, nem verificar se a seleção de mensagens apresentada é representativa do todo.

“Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção”, disse Mendes.

O ministro também invocou o princípio de igualdade entre os julgadores: se um membro do colegiado tem acesso ao material, “é prerrogativa dos demais membros do Tribunal acessar aquilo que fundamenta a decisão que lhes cabe proferir”.


A Resistência de Mendonça

Do outro lado da disputa, o ministro André Mendonça enviou ofício sustentando que compartilhar todo o conteúdo extraído do celular “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e colocaria “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”. Mendonça alegou que todos os ministros já dispunham do material necessário para o julgamento de terça-feira.

A posição de Mendonça é a de que ele, como relator, tem a prerrogativa de definir o que é compartilhado com o plenário e que abrir o conteúdo integral do celular pode comprometer investigações em andamento que vão além do que será julgado na terça.


O Placar e os Votos Incertos

O julgamento de terça-feira (15) foi convocado pelo presidente do STF, Edson Fachin, após pressão para que o plenário inteiro avalie o relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro envolvendo Moraes. O caso é inédito: nunca antes o STF foi chamado a decidir se investiga criminalmente um de seus próprios ministros.

Nos bastidores, o placar está longe de ser definido. Até agora, seis votos são considerados mais consolidados:

A favor de Moraes (e contra abrir investigação): Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como alinhados ao ministro.

A favor de Mendonça (e de abrir investigação): André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Os votos de Fachin e Cármen Lúcia seguem indefinidos os dois têm recebido acenos dos dois lados e são os verdadeiros pesos da balança.

O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que tende a não participar do julgamento, por ter se declarado suspeito em desdobramentos do Caso Master desde que deixou a relatoria. Há quem defenda, porém, que questões processuais como as que serão discutidas na terça permitiriam sua participação.


O Que Está em Jogo na Terça-Feira

O julgamento de terça é, na prática, um divisor de águas. Se o plenário decidir abrir investigação criminal contra Alexandre de Moraes algo sem precedente na história do STF, o Brasil entrará em um território institucional completamente desconhecido, com um ministro da mais alta corte do país sendo investigado pelos próprios colegas, em pleno ano eleitoral.

Se o plenário decidir o contrário e enterrar o relatório da PF, André Mendonça sairá enfraquecido, e a crise pode se deslocar para o campo político, com oposição e aliados de Bolsonaro usando o resultado como munição eleitoral.

De qualquer forma, o STF não sairá ileso do dia 15 de setembro de 2026

Veja Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *