segunda-feira, 27 de julho de 2026
⚠ Últimas Rubio Acusa Lula de Não Negociar de Boa-Fé e Diz que Presidente Colocou “Ego Acima do Acordo”
Esportes

Haaland, Ressaca e Rumo a 28 Anos de Jejum: O Que Resta ao Brasil Após Nova Eliminação Precoce na Copa

Haaland, Ressaca e Rumo a 28 Anos de Jejum: O Que Resta ao Brasil Após Nova Eliminação Precoce na Copa
Imagem: Instagram/ @brasil

A dor ainda está fresca. No domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2026 pela Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final. Dois gols de Erling Haaland um de cabeça, outro de fora da área nos acréscimos sepultaram mais uma campanha brasileira. Neymar descontou de pênalti já nos acréscimos, em um gol tardio demais para mudar o destino da noite.

Com o apito final, o Brasil chegou à sua sexta Copa do Mundo consecutiva sem conquistar o título o maior jejum da história da seleção desde a conquista do primeiro título em 58, São 24 anos desde a última taça, e a próxima Copa só será em 2030. Isso significa que, no mínimo, o Brasil chegará a 28 anos sem ser campeão do mundo. Uma geração inteira de brasileiros que nunca viu a seleção erguer a taça e que terá de esperar pelo menos mais quatro anos para ter essa chance.

E a eliminação desta vez dói de um jeito diferente. Não foi nas quartas, nem nas semis. Foi nas oitavas de final a pior campanha brasileira em 36 anos, igualando o vexame de 1990, quando a Argentina de Maradona eliminou o Brasil também na mesma fase.


A Noite que Resumiu Tudo

O jogo contra a Noruega foi, em muitos aspectos, um espelho cruel da crise do futebol brasileiro. O Brasil desperdiçou um pênalti no primeiro tempo Bruno Guimarães parou no goleiro Nyland e acumulou chances sem aproveitar. Quando o nervosismo tomou conta, Haaland apareceu.

Aos 79 minutos, o centroavante do Manchester City ganhou na bola aérea de Bruno Guimarães o mesmo que havia perdido o pênalti e cabeceou firme para abrir o placar. Aos 90, com espaço absurdo na quina da área, recebeu e chutou rasteiro e cruzado sem que ninguém o incomodasse. 2 a 0. Dois gols, duas jogadas simples, nenhuma chance para Alisson.

Neymar, acionado por Carlo Ancelotti no segundo tempo em uma tentativa desesperada de mudar o jogo, converteu o pênalti nos acréscimos. Mas o gol serviu apenas para enfeitar a derrota e, de certa forma, para resumir o lugar que o camisa 10 ocupou nesta Copa: o de uma figura que entrou tarde demais, quando a festa já tinha acabado.

A eliminação é a mais precoce da seleção desde 1990, quando o Brasil também caiu nas oitavas de final, derrotado pela Argentina por 1 a 0. E a Noruega, que nunca havia chegado às quartas de final em uma Copa do Mundo, fez história às custas do pentacampeão.


A Imprensa Mundial Não Teve Piedade

A reação internacional ao resultado foi dura. O jornal espanhol Marca classificou a campanha brasileira como um “fracasso inexplicável”, escrevendo que “o Brasil chegou à Copa do Mundo fragilizado e jamais conseguiu se encontrar”. Já o As adotou tom ainda mais duro: “O mundo chora pelo Brasil. Indignação, frustração, raiva… esta é a história de um ciclo sombrio”.

A Gazzetta dello Sport, da Itália, afirmou que nem Carlo Ancelotti o técnico mais vencedor do mundo conseguiu fazer o milagre, e colocou Brasil, Alemanha e Itália como “as grandes decadentes do futebol mundial”.

Uma publicação norueguesa foi ainda mais provocativa: celebrou a classificação de seu país afirmando que a Noruega venceu jogando exatamente do jeito que historicamente ficou associado ao futebol brasileiro. A ironia não poderia ser mais amarga.


Rumo a 28 Anos Sem Título: O Maior Jejum da História

Para entender a dimensão do que está acontecendo com o Brasil, é preciso olhar para os números. O penta veio em 2002, no Japão e na Coreia do Sul, com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos e Cafu. Desde então, o Brasil disputou mais seis Copas do Mundo e não chegou perto de uma final sequer.

2006: Eliminado nas quartas pela França. 2010: Eliminado nas quartas pela Holanda. 2014: Semifinal. A derrota histórica de 7 a 1 para a Alemanha, em casa, no Mineirão. 2018: Eliminado nas quartas pela Bélgica. 2022: Eliminado nas quartas pela Croácia, nos pênaltis. 2026: Eliminado nas oitavas pela Noruega.

A curva é de decadência progressiva. Cada ciclo parece pior que o anterior. E o mais inquietante é que 2026 deveria ser diferente: o Brasil tinha Carlo Ancelotti no banco o homem que ganhou cinco Champions League, uma geração com Vinicius Jr., Rodrygo, Endrick e Raphinha em seus melhores anos, e a Copa sendo disputada em solo americano, com logística favorável e torcida presente. Mesmo assim, caiu nas oitavas.


O Fim de uma Era: A Aposentadoria de Neymar da Seleção

Há um elefante no meio da sala que precisa ser nomeado: Neymar. O camisa 10 disputou sua última Copa do Mundo neste torneio , dados os seus 34 anos e um histórico de lesões graves que marcaram a segunda metade de sua carreira.

Neymar foi, durante mais de uma década, o eixo em torno do qual a seleção brasileira girava. O peso dessa dependência ficou evidente nas Copas em que ele se machucou em 2014, sua lesão nas costas contra a Colômbia foi seguida pelo 7 a 1 na semifinal. Em 2022, ele entrou lesionado, saiu lesionado e viu a seleção cair sem conseguir ajudar nos pênaltis contra a Croácia.

Nesta Copa, Neymar entrou pouco. Carlo Ancelotti o poupou, gerenciou sua condição física e o utilizou com parcimônia estratégia compreensível, mas que também revelou que o craque não era mais o mesmo. O gol de pênalti contra a Noruega pode ter sido sua despedida dos mundiais.

A pergunta que assombra agora é: o que vem depois? O Brasil teve uma geração de talentos extraordinários Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, depois Neymar. Uma safra de gênios que só aparece a cada décadas. Com a eventual saída de Neymar, o Brasil terá em mãos uma seleção jovem e talentosa, mas sem aquele jogador excepcional que carrega o time nos momentos decisivos. Vinicius Jr. é o candidato natural ao posto, mas ainda não provou que consegue fazer isso em Copa do Mundo.


Vini, Endrick e Rodrygo: A Esperança Para 2030

Se a Copa de 2026 deixa uma sombra, a Copa de 2030 abre uma janela. E essa janela tem nomes.

Vinícius Júnior terá 29 anos em 2030 a idade em que Ronaldo Fenômeno foi campeão em 2002, a mesma em que Romário brilhou em 1994. É a idade ideal para um atacante de elite. Nesta Copa, Vini foi o melhor jogador do Brasil, mas não foi suficiente para compensar as falhas coletivas.

Endrick, com apenas 19 anos neste mundial, mostrou lampejos de talento fora do comum. Entrou no segundo tempo contra a Noruega e quase marcou logo no primeiro minuto em campo, recebendo passe de Vini e finalizando na saída do goleiro a bola foi para fora por centímetros. Em 2030, ele terá 23 anos, a idade em que jogadores desse perfil explodem de vez.

Rodrygo, Raphinha e uma série de jovens que estão surgindo nas categorias de base completam um grupo que, bem treinado e com uma identidade de jogo definida, pode ser competitivo para o título no próximo ciclo.


O Que Precisa Mudar

A eliminação de 2026 não pode ser tratada como um acidente de percurso. É o resultado de falhas estruturais que se repetem Copa após Copa:

A seleção brasileira não tem uma identidade de jogo clara. Cada técnico chega com uma proposta diferente, e o time nunca consolida um estilo reconhecível ao longo de um ciclo. A Espanha de 2010 tinha seu tiki-taka. A França de 2018 tinha sua transição veloz. O Brasil de 2026 tinha… o quê, exatamente?

A base de formação de atletas, apesar de continuar produzindo talentos individuais excepcionais, ainda não entrega jogadores completos tacticamente. Neymar foi o melhor exemplo: um gênio da bola, mas nunca um líder que elevava o coletivo consistentemente.

E há a questão do modelo de gestão da CBF, que historicamente privilegia interesses políticos sobre decisões técnicas um problema crônico que se arrasta por décadas.

E a pergunta que fica, o que esperar para 2030?


Veja Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *