segunda-feira, 27 de julho de 2026
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Política

Pastor Márcio Poncio é Preso pela PF em Operação que Investiga Ligação com a ‘Máfia do Cigarro’

Pastor Márcio Poncio é Preso pela PF em Operação que Investiga Ligação com a ‘Máfia do Cigarro’
Imagem: Instagram/ @marcioponcio

O pastor Márcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. Agentes o detiveram em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A operação também tem mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar ambos já estavam encarcerados.

Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também autorizou 14 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos está o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. O ministro ainda determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões.

O advogado de Poncio informou não ter tido acesso aos autos do processo até o momento da prisão. As defesas de Adilsinho e Marco Antônio Cabral negaram as acusações.


Quem é Márcio Poncio

Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, Márcio Poncio é uma figura conhecida nas redes sociais e pai de dois nomes públicos: a deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e o cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla sertaneja UM44K. A família acumulou polêmicas ao longo dos anos, incluindo escândalos de traição amplamente repercutidos na imprensa.

Segundo apuração, Poncio é investigado por possíveis ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”, esquema criminoso liderado por Adilsinho, apontado como o chefão da nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro.


O Que Esta Fase Investiga

Segundo a Polícia Federal, a 5ª fase da operação “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”.

O ponto de partida desta etapa são planilhas encontradas durante a Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021, que mirava o monopólio do cigarro ilegal no Grande Rio. Na ocasião, a PF encontrou documentos com supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e registros de contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram atenção por indicar possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do estado.

A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos são investigados por receber mesadas de Adilsinho. Em abril, o ministro Gilmar Mendes, do STF, foi além: afirmou ter ouvido de um diretor da Polícia Federal que mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) recebiam mesadas do jogo do bicho.

“O presidente da Assembleia está preso. Eu conversava com o diretor-geral da Polícia Federal que dizia que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam mesada do jogo do bicho”, declarou Mendes, em um desabafo que encerrou com a frase: “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro.”


A Máfia do Cigarro: Um Negócio de Bilhões

A investigação tem raízes em um dos esquemas criminosos mais lucrativos do Rio de Janeiro. Segundo apurações, a quadrilha de Adilsinho chegou a controlar ao menos 45 dos 92 municípios do estado, impondo que apenas os cigarros produzidos pela organização pudessem ser vendidos nas regiões dominadas. Comerciantes e donos de bancas de jornal eram obrigados a oferecer somente o produto falsificado e fiscalizados constantemente.

O negócio envolve bilhões: entre 2018 e 2023, só em sonegação fiscal, o mercado do cigarro falsificado deixou de recolher R$ 10 bilhões em impostos em todo o Brasil mais de R$ 2 bilhões apenas no Rio de Janeiro, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec).

O esquema começou com cigarros contrabandeados do Paraguai, sob a marca Gift. Com o crescimento do negócio, a organização passou a produzir os próprios cigarros em fábricas locais, inicialmente com mão de obra paraguaia para manter a qualidade do produto. Hoje, a fabricação é feita por brasileiros.

Adilsinho só foi preso em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após um monitoramento por drones confirmar sua localização — quase cinco anos depois de ter sido alvo pela primeira vez, na Operação Fumus de 2021.


O Histórico da Operação Unha e Carne

A operação acumula quatro fases anteriores, realizadas entre dezembro de 2025 e maio de 2026, e foi expandindo progressivamente seu escopo:

A 1ª fase, em dezembro de 2025, mirou o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun — deflagrada contra o Comando Vermelho para beneficiar o ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político da facção.

A 2ª fase aprofundou a investigação sobre a origem dos vazamentos e resultou na prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2. A suspeita é que o magistrado repassou informações a Bacellar, que as transmitiu a TH Joias.

A 3ª fase, em março de 2026, resultou na segunda prisão de Bacellar desta vez em sua casa, em Teresópolis após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no escândalo da Ceperj e após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A 4ª fase, em maio de 2026, prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de comandar fraudes em contratações da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.

A operação se insere no contexto da ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas, que determinou que a Polícia Federal investigasse a atuação dos principais grupos criminosos do estado e suas conexões com agentes públicos.


O Que Dizem os Investigados

O advogado de Márcio Poncio, Leandro Mendonça, informou que “até o presente momento, não tivemos acesso aos autos do processo, fato que nos impede de conhecer os fatos e os fundamentos que levaram à decretação de sua prisão preventiva”.

A defesa de Adilsinho “rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos” e afirma confiar no devido processo legal.

Marco Antônio Cabral negou “de forma categórica qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita” e disse estar à disposição das autoridades.

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